Seu Gaudêncio - Partidos de Aluguel

Seu Gaudêncio é um homem simples. Lê muito, gosta de conversar e dar opinião.
Dia desses, numa roda de amigos, Seu Gaudêncio falou sobre a fidelidade partidária e comentou, por cima, sobre "partido de aluguel". No reencontro, Antônio quis saber do que se tratava.
- Que negócio é este de "partido de aluguel"? Até parece que política é uma imobiliária!
- Não chega a tanto, mas até que tem alguma semelhança. A Constituição Brasileira dá o direito de livre associação para fins permitidos. Lógico, as restrições são aquelas que ferem a lei. Por exemplo, uma associação que defenda o racismo. Ela também assegura a criação livre de partidos políticos, porém a Lei estabelece condições para o seu registro, como o caráter nacional, a mínima participação de pessoas, a representatividade parlamentar. Tudo com o objetivo de assegurar que ele represente realmente uma parcela significativa do país e do povo brasileiro e não apenas de uns poucos interessados.
- E isso não é bom?
- É bom! E a Constituição Federal assegura, ainda mais, o pluripartidarismo e a livre criação de partidos políticos. Nem poderia ser diferente. É a liberdade que está em jogo.
- Bom, já é bastante coisa! Assim as pessoas podem se reunir e defender idéias, interesses, princípios e lutar por uma boa causa. Mas por que de aluguel?
- Acontece que algumas vezes, mesmo que um partido tenha sido registrado legalmente, não consegue "decolar". Ao invés de crescer, até diminui ou "cresce" usando a "lei de Gerson"; ou seja, levando vantagens e não defendendo idéias, propondo soluções ou lutando por causas nobres. Um partido, com pequena representatividade popular e parlamentar, muitas vezes é levado a acolher políticos descontentes com a sua sigla de origem, buscando apenas alcançar benefícios pessoais. Isto desvirtua o processo político, corrompe o partido. É a "lei" do toma lá dá cá. Estes partidos se abastecem aliando-se a outros mais fortes, e como sanguessuga vão se alimentando e sobrevivendo. Usam a sigla partidária como moeda de troca.
- E qual é a solução? Pelo jeito o negócio é complicado. Se um partido for impedido de existir, está se impedindo o direito de livre associação e o direito de se expressar.
- É verdade! E não é fácil. Ainda por cima quem faz a lei é o Poder Legislativo. O poder que tem o maior interesse no "jogo político".
Seus integrantes dificilmente legislarão em prejuízo próprio, pois dependem de voto para se eleger, e nesta guerra de eleição todo apoio é válido, todo "cabo eleitoral" é bem-vindo.
- Então não há solução? Estamos lascados!
- Sempre há! A primeira é a pressão popular. Para isto é necessária a conscientização do povo e isto só é alcançado com educação e participação. A segunda é a justiça, com destaque para a Justiça Eleitoral, que tem a responsabilidade de interpretar a lei e a conduzir no bom sentido. Se ela se desvirtuar, então é o apocalipse.
- Me parece que o caso é sério. A política precisa ser moralizada.
- Isto depende de todos nós. A corrupção é um mal que tem que ser extirpada. Bom, Infelizmente tenho que ir. Outro dia continuamos a prosa que está boa, não é mesmo? Até logo!


por Sergio Sparta
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