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Seu Gaudêncio - Ensino e Educação
Seu Gaudêncio é um homem simples. Lê muito, gosta de conversar e dar opinião.
Na semana passada falou que só a educação salva o Brasil. João, seu parceiro, perguntou:
- Seu Gaudêncio, o senhor disse que nosso ensino tá fraco. Nossa gente não é bem educada?
- Primeiro é preciso não confundir ensino com educação. Ensino é o aprendizado que se faz, principalmente, no colégio. Educação é mais abrangente, engloba o ensino, atitudes, modos, cultura, conhecimento, experiências pessoais e muito mais. É o desenvolvimento da capacidade humana de forma geral. Visa a integração e a participação do homem na coletividade. Entendeu?
- Mais ou menos. Quer dizer que cabe aos pais dar educação aos filhos?
- É verdade! Mas a escola tem um papel fundamental na formação das crianças e dos jovens. A escola deve complementar a educação do lar. É nela que elas passam, pelo menos deveriam passar, a infância e a adolescência. Períodos férteis para receberem boas orientações. Não há como negar a importância dos professores que vai muito além de ensinar matemática, história, português. É na escola que, muitas vezes, as crianças e os jovens buscam o que não tem em casa, um ambiente saudável, fraterno e de amor. Lá encontram o respeito dos professores, a amizade dos colegas, trocam idéias e experiências, se preparam para enfrentar a vida.
- O senhor não acha que é muita responsabilidade para os professores?
- Só não acho como tenho certeza. É enorme. Por isto eles devem ser prestigiados e considerados. Cultuados como reis e rainhas. Mas, tenho uma queixa. Acho que as escolas estão perdendo um pouco do educar, priorizando o ensinar. Lembro do meu tempo. Da minha escola.
- Que é isso Seu Gaudêncio, as escolas não são tão boas como as de antigamente?
- Não é saudosismo. Mas tínhamos matérias que diziam mais respeito ao coração, à alma do que à mente. Que favoreciam a educação e a formação da piazada. Que foram retiradas do currículo, com prejuízo, principalmente, para os alunos menos favorecidos, que não podem complementar sua educação fora da escola. Não posso imaginar o motivo. Por certo acharam dispensáveis à modernidade, aos novos tempos.
- Que matérias são estas tão importantes?
- Música, trabalhos manuais, religião, idiomas como o francês. Tinha até uma língua que não se fala mais, o latim. Servia para entender melhor o português. Matérias que poderiam despertar vocações, aptidões, ampliar cultura. Abrir horizontes!
- Mas hoje temos a informática.
- Nós quem? Raras são as escolas públicas que mantém um laboratório de informática. Isto reduz as chances de seus alunos na seleção do mercado de trabalho. E as distorções não param aí. É verdade que temos avançado, mas não o suficiente. Há crianças fora da escola, trabalhando, gazeando, mal preparadas, subnutridas. Um doloroso retrato da nossa realidade com reflexos negativos, inclusive ao exercício da cidadania. Por falar em cidadania me lembrei, "cortaram", também, Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil. Tão fazendo falta!
- Estas matérias não tinham a finalidade de defender o governo dos militares?
- Ora, quem pensa assim é no mínimo desinformado. Como uma matéria com o objetivo de promover nossa história e valores éticos e morais, de dar conceitos básicos de política, de fornecer dados e informações sobre a realidade mundial e brasileira, de divulgar programas e projetos de desenvolvimento para o Brasil, de possibilitar maior participação e debates, enfim, de estimular a integração e a cidadania podem ser instrumento a serviço de um governo e não da Nação? Só o povo alienado é manipulado e subjugado. Pensem nisto! Só a educação é capaz de levar o Brasil a um lugar de destaque, de torná-lo livre. Bem! Obrigado pela atenção. Vou indo. Espero que nossas palavras não caiam no vazio. Um bom dia e até mais!
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