Seu Gaudêncio - O Legislativo e as Eleições

Seu Gaudêncio é um homem simples. Lê muito, gosta de conversar e dar palpite.
No último bate-papo falou sobre o Congresso Nacional e a redução do número de parlamentares. Antônio, que acompanhou a conversa, quis tirar uma dúvida:
- Seu Gaudêncio, os poderes da República não são três? Eles não têm a mesma importância? Porque o Senhor disse que só a participação popular ou a Justiça podem alterar isso que está aí?
- É verdade. Os poderes da República são três: o Executivo, que tem a responsabilidade de gerenciar o Estado; o Judiciário, que tem a incumbência de fiscalizar o cumprimento das leis; e o Legislativo, que elabora as leis. Cada um com atribuições definidas na Constituição Federal. São poderes independentes. Têm o mesmo nível hierárquico e devem trabalhar harmonicamente entre si. Só assim a Nação chegará há um bom resultado. Mas, acho que o Legislativo é o principal.
- Porque essa "bola" toda para com o Poder Legislativo?
- Ora, sem estar acima dos outros é o Poder que faz a lei. Assim, ele tem uma atribuição fundamental na organização do Estado.
- Se isto é verdadeiro e me parece que é, os representantes do Legislativo devem ser muito bem escolhidos. Caso contrário, teremos leis mal elaboradas que não correspondem aos interesses da população e prejudiciais ao desenvolvimento da nossa terra.
- É isto mesmo. É lamentável que a maior parte da população não se dá conta da importância de eleger bons vereadores, deputados e senadores. Em geral o eleitor não acompanha os discursos, as entrevistas e a propaganda eleitoral. Não identifica as idéias e os posicionamentos dos candidatos. Até acha a política uma chatisse, sem se dar conta de que está relegando ou delegando, a outros, o seu futuro e o da sua gente. Como tem que cumprir uma obrigação escolhe, às pressas, um candidato. Vota e sai satisfeito por ter exercido seu dever cívico.
- Seu Gaudêncio, o senhor não está sendo severo demais com suas palavras?
- Acho que nem tanto. Posso até ter magoado alguns de vocês e peço desculpas. Falo no comum. É só perguntar por aí em que candidato as pessoas votaram na última eleição. A maioria não lembra em quem votou para vereador, deputado ou senador. É o retrato do nosso eleitor. Os candidatos sabem disto e por esta razão sabem, também, que não serão cobrados no futuro.
- Tenho ouvido dizer que nas próximas eleições vai haver uma enxurrada de votos brancos e nulos. Um protesto pela descrença na classe política.
- É uma lástima se isto acontecer. O eleitor precisa entender que os representantes devem ser bem escolhidos. Se não foram no passado, a culpa é nossa. Agora estamos sofrendo as conseqüências. O voto nulo ou branco não leva a nada. Não favorece a democracia. Nem mesmo como protesto é válido. Não muda nada. A maneira de protestar é eleger os mais capazes, os comprometidos com as virtudes, os independentes - que não se subordinam a interesses escusos ou de terceiros -, os que não se submetem a ideologias estranhas, os compromissados com os interesses da sociedade. Se isto acontecer, certamente teremos um novo Brasil.
- Isto quer dizer, Seu Gaudêncio, que o futuro depende de nós? Que não há outra maneira de avançarmos senão pela "limpeza" no processo político? Que as promessas vãs devem ser identificadas e repudiadas e os faltosos punidos exemplarmente?
- É isto! Mas, é difícil aceitar uma justiça meio cega. Quando a ação da espada não pode ser imposta e cumprida, exemplarmente. Quando os faltosos são mais protegidos que os cumpridores da lei. Quando a balança pende para um lado. Fico desconfiado que alguém tá puxando a venda da Justiça, deixando ela meio de banda, sem tapar bem um dos olhos. Isto é outra conversa. Até mais!


por Sergio Sparta
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